2013-01-30

Recrutamento criativo


Há várias formas de demonstrar a cultura de inovação de uma organização. Muito mais do que aquilo que se diz, são as ações que demonstram esta cultura. Há vários exemplos, conhecidos de todos. Há vários casos de estudo analisados nas melhores escolas de gestão. Eu gosto sempre de recorrer a dois exemplos próximos, que comprovam que todas as organizações podem ter uma cultura de inovação, independentemente da sua dimensão, localização ou setor.

O primeiro exemplo refere-se a uma empresa da área das tecnologias de informação e comunicação (TIC) que recrutou um copywriter a partir de um vídeo realizado e distribuído nas redes sociais. Ficam, de forma sumária, as principais ações:
1. Copywriter que procura emprego faz CV inovador, através de um vídeo realizado com base no jogo quem é quem?”.
2. CV/Vídeo é enviado para vários potenciais empregadores.
3. Ao fim de algum tempo, não tendo o resultado previsto, resolve partilhar este CV original nas redes sociais.
4. O vídeo torna-se viral.
5. A responsável pelos RH de uma empresa de Coimbra, da área das TIC, recebe o post com o vídeo.
6. Após alguns procedimentos mais burocráticos de cariz interno, o jovem copywriter passa a fazer parte da equipa.

O segundo exemplo refere-se a uma empresa da área da comunicação e marketing (no caso específico de branding), e tive a sorte de acompanhar de perto este processo:
1. Esta agência de branding realizou uma campanha chamada Cinderela, dirigida a clientes e potenciais clientes.
2. A Inês, aveirense de gema (não sei se cagaréu ou ceboleira), a trabalhar no Porto e com vontade de se aproximar das origens, enviou uma caixa que provocou uma turbulência silenciosa na agência.“Fada”,disse a Inês, “sou eu!”.Apresentou-se como a Fada Madrinha e, na caixa enviada, havia uma carta de apresentação e, pasme-se, tinha também a sua varinha mágica.
3. Falaram! Agência e Vídeo Manager apaixonaram-se! Ainda houve conversas para comprovar que era mesmo a Fada Madrinha que se dizia, pois hoje em dia a palavra não chega, e a Fada Inês fez o desafio à agência, na pessoa que estava à sua frente, de lhe dizer qual o seu desejo.
4. Não sendo o seu desejo uma ilha paradisíaca era, ainda assim, um Porshe Cayenne. Mesmo para uma fada era preciso respirar fundo e reunir os recursos necessários, pois o desejo era fogo. No dia seguinte, surgiu com o pedido satisfeito com um modelo do carro à escala 1:72. Juntaram-se de imediato. Inês e a sua agência continuam felizes e a aproveitar o bom que a vida tem, continuando a encantar não só internamente, mas também os seus clientes.

Estes dois exemplos, demonstram a abertura de espírito dos responsáveis pelas empresas em causa para saírem da sua zona de conforto e valorizarem a diferença. Claro que todos podemos dizer que nas áreas dos exemplos aqui apresentados, é mais fácil. Eu acredito que há sempre alternativas que permitem fazer de forma diferente. Acredito que não está relacionado com o setor ou área de atuação, mas sim com as pessoas e a sua atitude intrínseca, pois este tipo de ações surge, muitas vezes, de forma espontânea e não planeada. Se estas ações forem complementadas por outras similares e adequadas às necessidades das diferentes áreas da empresa, se as mesmas promoverem e valorizarem a diferença, a criação de valor e o aumento da perceção desse valor para a organização, podemos afirmar com confiança que estamos perante uma empresa com uma cultura de inovação.

Sabendo que as palavras e as ações se complementam, quando são coerentes entre si, é muito importante sensibilizar e consciencializar os colaboradores para a importância da criatividade e da inovação, mas é fundamental que estas palavras sejam complementadas com ações concretas que evidenciem, mais do que a intenção, a implementação no terreno dessas mesmas intenções.

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