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2026-05-18

Não Há Progresso Sem Mudança: O Maior Desafio da Liderança Moderna



    “É impossível haver progresso sem mudanças, e quem não se consegue mudar a si mesmo não muda coisa alguma.”
    Esta célebre frase de George Bernard Shaw toca no ponto central daquilo que move as organizações e as sociedades. Longe de ser apenas uma máxima filosófica sobre o crescimento pessoal, ela serve como um excelente lema para a Inovação e para a Liderança Moderna.
Se dividirmos a frase nas suas duas componentes essenciais:

1. A Perspetiva da Inovação: "É impossível haver progresso sem mudanças..."

No mundo dos negócios e da tecnologia, a inovação é frequentemente confundida com a mera criação de algo novo. No entanto, o verdadeiro progresso exige a disrupção da situação atual.

  • O Mito do "Sempre Fizemos Assim": A primeira parte da frase é um aviso contra a complacência. Muitas organizações falham não por falta de talento, mas pelo apego ao passado (casos como a Kodak ou a Nokia). O progresso exige a coragem de abandonar processos obsoletos, mesmo que tenham funcionado bem até agora.
  • Inovação Incremental vs. Radical: Para que o progresso aconteça, a mudança deve ser gerida. A inovação incremental melhora o que já existe; a inovação radical altera as regras do jogo. Ambas exigem uma mentalidade de experimentação, bem como a aceitação do risco e do fracasso como parte do processo.

2. A Perspetiva da Liderança: "...e quem não se consegue mudar a si mesmo não muda coisa alguma."

    Aqui reside o fator humano e o verdadeiro desafio da gestão de equipas. A inovação tecnológica ou processual é inútil se as pessoas que a operam recusarem a mudança. E tudo começa no topo.

  • Liderança pelo Exemplo: Um líder não pode exigir que a sua equipa seja ágil, criativa ou aberta a novas ferramentas se ele próprio se mantiver rígido nas suas velhas convicções. O líder é o espelho da cultura organizacional. Se o líder não demonstra vulnerabilidade e capacidade de aprendizagem (lifelong learning), a organização estagna.
  • Mentalidade de Crescimento: Mudar a si mesmo implica reconhecer as próprias limitações. Líderes eficazes na era da inovação possuem a humildade de admitir que não sabem tudo. Eles mudam as suas perspetivas perante novos dados e dão autonomia à equipa para propor soluções.
  • Gestão da Mudança: O maior obstáculo à inovação é a resistência humana. Quando um líder consegue transformar a sua própria mentalidade, ele ganha a empatia necessária para guiar os outros através do desconforto que qualquer mudança provoca. Quem domina a autoliderança consegue inspirar e mover o coletivo.

Resumo: A ”Fórmula de Shaw para o Sucesso”

    Se cruzarmos as duas perspetivas, a frase de Shaw pode ser resumida num ciclo estratégico: Mudança Pessoal do Líder promove uma Cultura de Abertura na Equipa que origina uma visível Inovação de Processos e Tecnológica, o que resulta no Progresso Organizacional. O Progresso Organizacional solicita novas Mudanças Pessoais do Líder e o ciclo virtuoso continua.

    Face ao atual mercado de trabalho, em constante disrupção devido à inteligência artificial e à digitalização, qual considera ser o maior obstáculo para um líder conseguir aplicar esta "mudança pessoal" na prática?

2026-02-25

Como pensar fora da caixa, em Anadia!

 


O workshop “Como Pensar Fora da Caixa”, realizado em Anadia, decorreu num contexto particularmente inspirador. A qualidade da sala revelou-se excelente para este tipo de eventos, criando um ambiente confortável, funcional e propício à participação ativa.


A sessão contou com a presença de vários pais e filhos e pessoas ativas da região, o que enriqueceu muito as dinâmicas e as perspetivas partilhadas. Estiveram também presentes dois vereadores: um no papel de pai e outro enquanto representante do Município de Anadia. A participação do vereador manteve-se do início ao fim da sessão, sempre com entusiasmo e envolvimento, demonstrando um respeito genuíno pelos seus concidadãos e pelo processo de aprendizagem coletiva.


O espaço contribuía fortemente para o tema da criatividade. Na própria sala encontrava-se uma exposição de caricaturas, de um autor de Anadia, que ajudava a estimular o pensamento visual e a abertura a novas interpretações. No átrio, decorria simultaneamente uma exposição de um artista de Cantanhede, com obras de arte — mobiliário e peças decorativas — criadas a partir de resíduos industriais. Este enquadramento artístico funcionou como um exemplo vivo de criatividade aplicada, reforçando a mensagem central do workshop.


Durante a sessão, explorámos alguns conceitos e ferramentas práticas para estimular o pensamento divergente e colocámos várias delas em ação. Entre os temas trabalhados, destacaram-se as dificuldades dos alunos do ensino secundário nas decisões que enfrentam e a utilização excessiva do telemóvel por parte de adolescentes, jovens, adultos e idosos. As discussões foram concretas, abertas e orientadas para soluções.


O grupo revelou-se muito dinâmico, participativo e disponível para experimentar novas abordagens, o que tornou o workshop particularmente rico e produtivo. Ficou claro que, quando existe o contexto certo, as pessoas não só compreendem a importância de pensar fora da caixa, como se mostram verdadeiramente dispostas a fazê-lo.

2025-05-01

O Que Aprendemos ao Caminhar: Crónica de uma Peregrinação a Santiago

 

O Planeamento

Se há algo que uma peregrinação nos ensina é que não importa quantas vezes planeamos tudo ao detalhe – o caminho surpreende sempre. E foi isso que vivemos num grupo de 22 peregrinos que partiram de Pontevedra rumo a Santiago de Compostela, numa jornada de três dias cheia de desafios, histórias e aprendizagens.

Os Estranhos

No início, éramos quase estranhos. Cada um conhecia alguém, mas as relações eram maioritariamente individuais. Vieram pessoas de várias regiões – Coimbra, Guimarães, Braga, Lisboa, Mealhada, entre outras – e, mesmo sem saber, estávamos todos à procura de algo. Talvez tenhamos encontrado algo... Talvez tenhamos que continuar a procura!

Os Coordenadores

O grupo de coordenação organizou-se para ser discreto e fazer a sua peregrinação. O objetivo era ter o papelo de mais uns peregrinos no grupo. Rapidamente mostraram capacidade de adaptação e gestão de imprevistos, o que se revelou vital. E não faltaram desafios: desde trocas inesperadas de alojamento até momentos de intenso desgaste físico e emocional. A Sara, a Inês e a Ana Rita, foram impressionantes. Com elas é muito fácil trabalhar. Eu espero ter cumprido com os minímos olímpicos no meu papel.

As Histórias

Houve histórias inspiradoras... histórias de vida ou atitudes durante a peregrinação. Houve quem expusesse as suas estratégias para enfrentar os desafios que apareciam... houve quem ultrapassasse dificuldades pessoais intensas...

O Processo

O processo de transformação do grupo foi igualmente comovente. Vimos que pessoas que, desde o início se preocupavam com o grupo, até pessoas que se preocupavam consigo próprias e com o seu bem-estar pessoal (quase em exclusividade). A maioria destas pessoas, no último dia, já tinha uma grande preocupação com o grupo e com o bem-estar coletivo. Foi fascinante perceber que, em 3 dias, em condições difíceis, com alimentação, dormidas e rotinas diferentes das existentes no nosso dia-a-dia, e sem as pessoas que habitualmente preenchem os nossos dias, é possível transformar um conjunto de pessoas num grupo com grande espirito de entreajuda. 

Os Momentos

Houve vários momentos especiais que ficaram gravados: a descoberta do “oásis do peregrino” – uma simples arca com bebidas frescas numa paragem de autocarro, que nos deu forças em horas críticas – ou o apoio mútuo entre um grupo animado de amigas que, apesar do cansaço, nunca deixavam ninguém ficar para trás.

A Autogestão

Todos passaram a estar na coordenação do grupo e a apoiar nas decisões, na ajuda a tratar de toda a logística e no apoio a quem precisava. Tornou-se um grupo autogerido, com muita facilidade. Seria uma equipa na qual eu ficaria satisfeito de estar integrado se surgisse um projeto que o proporcionasse.

A Celebração

No jantar final, a alegria misturava-se com exaustão. Todos partilhavam a sensação de missão cumprida e, entre risos e dores por todo o corpo, sabíamos que tínhamos vivido algo inesquecível.

A Reflexão Final:

Esta caminhada, mais do que um percurso físico – foi um caminho interior, onde aprendemos sobre empatia, resiliência e o poder incrível da entreajuda.

2024-05-05

O comportamento dos condutores: dos Trogloditas aos Zen

 

Foto de Kelly no Pexels

Condutores tipo Trogloditas e tipo Zen

Há um desafio que muitos enfrentamos no dia a dia: o trânsito urbano. Muitas vezes com obras e desvios a acrescentar às dificuldades deste desafio. Nesta selva urbana, há dois tipos de condutores que se destacam: os Trogloditas e os Zen.

Os Trogloditas são facilmente reconhecíveis. Buzinam impacientemente, fazem gestos obscenos, e estão sempre com pressa. Qualquer obstáculo, por menor que seja, desencadeia uma avalanche de irritação e agitação. Os seus níveis de stress parecem estar num crescimento constante, que pode levar a consequências indesejáveis, tanto para eles quanto para os outros condutores.

Por outro lado, os Zen parecem estar numa bolha de serenidade, mesmo que o trânsito esteja caótico. Eles conduzem com paciência, mantendo a calma até quando acontecem imprevistos e troglocenas. Eles controlam os níveis de stress e a forma como se comportam, independentemente dos seus primeiros pensamentos. Conseguem comportar-se de forma cortês e tolerante. 

Consequências dos tipos

Uma forte tensão/stress pode ter consequências graves para os trogloditas e para os Zen, porque aumenta o risco de acidente. Quanto aos trogloditas, pode agravar problemas de hipertensão, ansiedade e depressão. Além de, quando levam crianças no carro, esse comportamento pode duplicar, triplicar ou quadruplicar o n.º de potenciais trogloditas ali presentes. O exemplo é absorvido com uma intensidade impressionante.

Por outro lado, os benefícios da cortesia no trânsito são inúmeros. Além de contribuir para um ambiente mais seguro nas estradas, a cortesia também promove um clima de respeito mútuo entre os condutores e na comunidade. Pequenos gestos, como ceder a passagem ou agradecer com um aceno, podem fazer uma grande diferença no dia de alguém. Além disso, ser cortês no trânsito pode ter um efeito positivo no nosso próprio estado mental, reduzindo o stress e promovendo uma sensação de bem-estar e contribuição.

O espelho do comportamento

É igualmente interessante perceber que o comportamento na estrada é um espelho ampliado do comportamento nas outras dimensões da vida. Assim, a cortesia, a preocupação com o outro, a tolerância, o facilitar a vida ao outro ou, por outro lado, o egoísmo, o “entalar” o outro, a pequena infração, o passar indevidamente à frente, a chico-espertice, permite perceber como é a pessoa e como se comporta noutras situações de tensão (muitas vezes, até em situações sem quaisquer motivos de tensão).

Embora a perceção que eu tenha é que existem muitos trogloditas, ultimamente tenho-me apercebido que noto mais os trogloditas, no entanto, existem muitas pessoas Zen. A entrada da minha casa para uma rua com muito trânsito, com horas de ponta difíceis, permite ver que a maior parte das pessoas permite entrar rapidamente na estrada. Em meses de trânsito intenso e confuso, são raras as vezes em que chego à estrada para entrar e o primeiro, segundo ou, no máximo, o terceiro carro oferece a possibilidade de entrarmos na estrada. Não me lembro de vezes em que tenha ultrapassado o terceiro, o que me faz pensar que noto muito mais facilmente os trogloditas do que os Zen. No entanto, há imensas pessoas Zen, que são mais discretas e não nos apercebemos, porque o trânsito segue o seu ritmo, com as complicações normais de uma cidade em desenvolvimento, mas com um nível de cidadania e urbanidade que rapidamente ultrapassa as troglocenas.

A escolha


Assim, quando se vai conduzir, temos uma escolha a fazer: a via Troglodita ou a via Zen. Para os mais nervosos e que têm o hábito de buzinar, pode ser um exercício interessante ver quantos dias demoram até conseguir estar um dia inteiro sem buzinar. Este tema pode ser a base de uma excelente reflexão para os tipos de lideres que temos nas nossas organizações. Curiosamente, usa-se com frequência a expressão condutores de homens (pessoas), para designar alguns líderes.


Dicas para maior cortesia na estrada:

Ficam algumas dicas simples que permitem melhorar a cortesia nas estradas:

  • Agradecer, sempre que lhe facilitem a vida: ceder passagem, parar na passadeira, …

  • Estacionar bem. Evite usar 2 lugares de estacionamento, ou estacionar em lugar reservado a pessoas com mobilidade condicionada.

  • Usar os piscas.

  • Deixar espaço entre veículos. 

  • Não bloquear cruzamentos ou rotundas.

  • Com chuva, reduzir a velocidade em locais onde há peões. Ficam mais secos…

  • Em filas e com a confluência de duas vias, dê a passagem alternadamente a cada uma das filas.

  • Usar a buzina apenas em situações de perigo.

  • Não atirar lixo, piriscas ou outros objetos estranhos pela janela.

  • Mantenha a calma, mesmo perante erros de outros condutores. Um erro pode acontecer a qualquer um. 


Notas:

Para saber mais sobre o comportamento ao volante, pode pesquisar  "Escala DBS – Driven Behavior Scale".

Dia 5 de Maio é o “Dia Mundial do Trânsito e da Cortesia ao Volante”

Inovação e a Visão Zero Acidentes: https://youtu.be/i2b9KWagBsE?si=MlbXEQsK-TisHkdu