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2026-05-14

Inovação de Chão de Fábrica: Um Ativo Relevante

 

@pexels, foto: shreeneet

Durante anos, muitas organizações trataram o chão de fábrica como um simples centro de execução operacional. A estratégia nasce nas salas de reunião, de análise estratégica, de análise de dados e de mercados, que ditam as orientações estratégicas. As operações recebem ordens para executar.

Esta lógica necessita de ser revista. Para uma liderança verdadeiramente estratégica, o chão de fábrica não é apenas o local onde os planos acontecem. É onde a realidade testa a qualidade da estratégia. É um laboratório de validação, aprendizagem e inteligência competitiva dentro da organização.

A questão é simples: uma estratégia precisa de existir em contacto frequente com a operação.

O chão de fábrica como sistema de inteligência organizacional

Existe um problema estrutural em muitas empresas: a distância entre quem decide e quem executa.

Quanto maior essa distância, maior o risco de tomar decisões sem considerar a realidade, provocar resistência à mudança e originar projetos de inovação que morrem na implementação.

O chão de fábrica oferece algo que nenhuma reunião estratégica consegue produzir: feedback empírico em tempo real.

Ali percebe-se se um processo é realmente eficiente, se uma tecnologia funciona fora da apresentação comercial, se uma mudança operacional é viável ou se a cultura suporta a transformação proposta.

Os operadores convivem diariamente com a realidade e com imprevistos que nem sempre são fáceis de prever, como os desvios, improvisos, falhas ocultas e soluções informais que mantêm a operação viva. É precisamente aí que reside uma enorme fonte de vantagem competitiva.

A força invisível das pequenas melhorias

Atualmente, existe uma procura persistente (ou teimosa) com inovação disruptiva. Muitas empresas procuram “o próximo grande salto” enquanto ignoram centenas de pequenas oportunidades de melhoria operacional. É um erro estratégico. No chão de fábrica, as melhorias incrementais acumulam impacto, em áreas como a redução de desperdícios, o aumento de produtividade ou uma maior estabilidade e controlo operacional. Mil e uma pequenas melhorias bem implementadas podem gerar mais margem financeira do que um grande projeto de automação mal executado.

Acresce que as soluções criadas na base tendem a ser mais pragmáticas, mais rápidas, mais baratas e mais fáceis de implementar. Nascem da realidade, da necesidade e não da teoria. Como diz a sabedoria popular: a necessidade aguça o engenho.

O conhecimento tácito: o capital invisível da empresa

Existe um tipo de conhecimento que raramente aparece nos relatórios:  o conhecimento tácito. É o operador que “ouve” a máquina e percebe que algo está errado antes da falha acontecer. É o técnico que conhece o comportamento real do processo. É o mecânico que sabe onde dar a martelada eficaz. Muitas organizações ignoram esse conhecimento porque ele não está documentado, o que corresponde a um desperdício de capital intelectual.

Empresas inteligentes transformam esse conhecimento operacional em inovação estruturada, envolvendo estes operadores em processos de melhoria contínua, na padronização e otimização de processos ou aprendizagem organizacional.

Estratégia colaborativa

A inovação estratégica e a inovação de chão de fábrica não competem entre si. Devem colaborar entre si, pois operam em níveis diferentes da mesma organização e ambas são úteis para alcançar os objetivos e o sucesso.

A inovação estratégica define a direção e a intenção da inovação, explora explora novos mercados, vai atrás de novos mercados e assume riscos maiores.

A inovação operacional garante eficiência, reduz fragilidades, dá suporte financeiro ao crescimento e transforma a visão em execução.

Uma define o norte. A outra garante que a empresa consegue chegar ao norte.

O problema é que muitas empresas investem em discursos estratégicos sofisticados enquanto ignoram os sistemas operacionais que sustentam o negócio. Pode levar a estratégias brilhantes com níveis baixos de execução. 

O verdadeiro laboratório da inovação

Para quem lidera inovação, o chão de fábrica deveria ser um destino obrigatório e frequente, em vez de uma visita ocasional. 

Neste laboratório prático, as hipóteses são testadas, identificam-se mais facilmente os riscos, a cultura emerge, manifesta-se a resistência à mudança e promove novas oportunidades.

O inovador que ignorar as operações toma decisões com menor qualidade. Porque inovação sem contacto com a realidade operacional corre sempre o risco de se transformar em palavras que o vento leva, sem tração à realidade.

É fundamental perceber se na nossa organização existe alinhamento entre a visão da liderança e a realidade operacional. 

A inovação e os avanços no “estado de arte da empresa” funciona quando a tecnologia e as grandes ideias se conectam ao conhecimento humano da operação, pois o chão de fábrica é um ativo relevante.


2025-11-11

A Criatividade Está em Todo o Lado: E Também na Sua Empresa

Foto de Rodolfo Clix no Pexels

Tipos de Criatividade

Quando falamos de criatividade, é natural que o primeiro pensamento nos leve para o mundo das artes. Os artistas são frequentemente reconhecidos como os grandes mestres desta competência. Têm uma forma singular de ver e de interpretar o mundo, expressando-se através da pintura, da música, da escrita ou da representação. São diferentes e é precisamente nessa diferença que reside o seu valor. A sua criatividade torna-se visível, tangível, inspiradora.

Mas a criatividade não pertence apenas às artes. Há outras áreas em que a criatividade é igualmente importante: o humor. Seja através do humor inteligente e provocador de Ricardo Araújo Pereira, da irreverência contagiante de Herman José ou do olhar perspicaz e minucioso de Joana Marques sobre o quotidiano, todos eles traduzem o poder da criatividade em formas que nos fazem pensar, rir e surpreender-nos com o inesperado.

Contudo, a criatividade manifesta-se também num outro domínio, menos visível, mas igualmente essencial: o das organizações.

Nas empresas, quando existe uma cultura que valoriza a criatividade, o potencial para inovar, resolver problemas e criar valor é imenso. É aqui que nasce a criatividade orientada para a resolução de problemas, aquela que transforma desafios em oportunidades, limitações em novas possibilidades e rotinas em progresso.

E claro, há um passo seguinte e natural na expressão máxima da criatividade: a inovação.
Mas esse é um tema suficientemente vasto e importante para merecer uma reflexão própria — e será abordado num próximo texto.

Os Benefícios da Criatividade

Um ambiente criativo traz inúmeros benefícios — tanto para as pessoas como para as organizações. Eis alguns dos mais relevantes:

1. Diferenciação

Pensar de forma diferente é o primeiro passo para ser diferente. A criatividade permite encontrar soluções únicas e originais, oferecendo à empresa uma vantagem competitiva e fortalecendo a sua identidade junto de clientes, colaboradores, parceiros e franchisados.

2. Resolução de Problemas

A criatividade está no centro da capacidade de resolver problemas de forma eficaz e inovadora. Pode inspirar melhorias contínuas ou provocar verdadeiras rupturas positivas — aquelas que transformam processos, produtos ou estratégias de forma surpreendente.

3. Otimização de Processos

Muitas vezes, a criatividade manifesta-se na simplicidade. Um olhar criativo sobre um processo pode revelar formas mais rápidas, económicas ou sustentáveis de alcançar resultados, contribuindo diretamente para a eficiência e a qualidade.

4. Novas Funcionalidades

A curiosidade criativa leva à experimentação — e é dela que surgem novas ideias, funcionalidades e soluções que acrescentam valor aos produtos e serviços existentes.

5. Felicidade

Por fim, talvez o benefício mais humano de todos: a felicidade.
A criatividade é uma fonte natural de satisfação e realização. Quando criamos, entramos num estado de fluxo — aquele momento em que o tempo parece suspender-se e sentimos orgulho, prazer e entusiasmo pelo que estamos a construir. A criatividade desperta alegria e reforça o sentido de propósito.

Conclusão

A criatividade é muito mais do que um talento artístico: é uma competência transversal, essencial para o crescimento pessoal, o sucesso organizacional e o bem-estar coletivo.
Cultivá-la é investir num futuro mais inovador, humano e sustentável.

Bom caminho!

2025-07-30

Inovação: Por onde começar numa empresa sem cultura inovadora?

foto: pexels pixabay


Num cenário hipotético em que uma empresa não possui cultura de inovação, os primeiros passos sugeridos por algumas pessoas que discutem entre si os temas da Inovação Organizacional, convergem em torno de três eixos fundamentais: compreensão do contexto, sensibilização das pessoas e criação de condições para a participação ativa.

Diagnosticar o ponto de partida

Antes de qualquer ação, é fundamental compreender como a inovação é percecionada dentro da organização. Isso inclui identificar barreiras culturais, como o medo do erro, falta de reconhecimento, ausência de alinhamento estratégico ou mesmo um ambiente demasiado sério que inibe a criatividade. Esta análise inicial permite agir com maior precisão e adaptar abordagens ao contexto específico.

Sensibilizar e formar toda a equipa

Um passo consensual é a necessidade de promover a sensibilização e formação em inovação, transversal a toda a organização — da base à gestão de topo. Só com um entendimento partilhado da importância da inovação é possível construir um terreno fértil para novas ideias e iniciativas.

Fomentar a participação e criar canais de escuta ativa

Incentivar a criatividade passa por envolver os colaboradores em dinâmicas por áreas, criar caixas de sugestões, valorizar ideias e envolver ativamente quem levanta problemas ou propõe soluções. A comunicação clara da estratégia e a formação de equipas de inovação com elementos de diferentes áreas são formas práticas de garantir envolvimento e alinhamento.

Foi lançada uma provocação bem-humorada, que pode dar bons indícios sobre a inovação numa dada empresa: “Esta malta ri-se ou é demasiado séria?” — porque uma cultura de inovação saudável também se reflete na leveza e abertura das interações.

Autores: Ana Fonseca, Iris Oliveira, Lúcia Miranda, Marta Machado e Pedro Paiva

2024-06-14

A fábrica de licores Mulher do Capote


A Fábrica de Licores Mulher de Capote

A Fábrica de Licores Mulher de Capote é uma conhecida destilaria situada na ilha de São Miguel, nos Açores. Fundada em 1936, a fábrica produz uma variedade de licores tradicionais, mantendo viva a herança cultural e gastronômica da região.

A visita

A sua vasta gama de produtos aguçou a minha curiosidade sobre a sua capacidade inovadora. Fomos visitar a empresa na segunda feira, dia de Portugal e de Camões. A empresa estava parada, mas não fechada. Começamos a tirar fotografias ainda à entrada, pois tinha vários atrativos, entre os quais um spot com a Mulher de Capote e, segundo me pareceu, o Ezequiel, outra figura que passou a mensagem de ser emblemática da região, até porque havia uma fábrica próxima de produção do licor do Ezequiel. Logo neste momento, fomos surpreendidos por uma senhora (não tinha capote), que saiu apressada e nos disse que podíamos fazer a visita guiada. Prontificou-se de imediato a tirar fotografias, sempre com um sorriso e com energia positiva. 

Fomos ao encontro do guia que começou de imediato a fazer a sua apresentação. Juntaram-se uns "estrangeiros" e a visita foi feita em "Português dos Açores" e Inglês. Nesta fase da visita deu para perceber o envolvimento deste guia (como é possível ter-me esquecido do nome dele) com a empresa. Falava bem da empresa, elogiava os seus produtos e o papel da empresa na comunidade. Falava da visão dos donos da empresa e das suas aventuras nos negócios. Naquele momento, ele foi obrigado a ser one man show, mas que nãos e esqueceu de enaltecer toda a equipa e as capacidades de liderança de quem está à frente da empresa. Fez de guia, orientando-nos por todo o processo, foi poliglota, foi contador de histórias, apresentou vários produtos, abriu casas de banho, que estavam fechadas devido à fábrica estar fechada, deu a provar diversos produtos (eu provei o licor de arroz doce, o licor de natas o de bolacha maria e tive que parar, porque o risco de não querer parar era elevado...) e vendeu vários produtos, tudo com muita disponibilidade e boa disposição.

A Inovação

Sem ter contactado com ninguém da gestão de topo da empresa, a mensagem transmitida faz-nos pensar que existe uma liderança que inspira quem está à sua volta. Pelo menos, os dois elementos da empresa com quem tivemos contacto, far-nos-iam aostar numa liderança inspiradora.  

A empresa aparenta ter uma cultura de inovação, pois a variedade de produtos resulta, com certeza, de muitas tentativas, experiências, formulações, desenvolvimento de processos que implicam erros, falhas, caminhos inadequados e resiliência para voltar a tentar e ir alcançando produtos cada vez mais próximos dos gostos dos clientes. Eu sou testemunha que conseguiram satisfazer plenamente as minhas expetativas.

Estes resultados só acontecem por haver vontade e orientação por quem lidera os destinos da empresa e, com certeza, por haver investimento na Investigação e Desenvolvimento, pelo menos com as forças da região.

Não consigo fazer uma análise precisa, mas pareceu-me uma empresa flexível... muitos produtos, aberta num feriado em que muitos negócios estavam fechados... dá bons indícios.

Foi possível perceber investimento em tecnologias, nomeadamente a sua presença digital e a sua dinâmica nas redes sociais e percebia-se que existia algum equipamento moderno. Mais uma vez, não foi possível aprofundar este tema.

Uma empresa tradicional, podia manter-se com os seus produtos clássicos (podia?), mas a Fábrica de Licores Mulher de Capote está à procura de novos sabores e tem orgulho nos últimos licores desenvolvidos e já comercializados. Aparenta haver incentivo à experimentação e às novas ideias, que culmina (à luz da nossa visita), com uma loja em Lisboa (Mercearia dos Açores: https://merceariadosacores.pt/) que não se fica pelos seus produtos, mas posiciona-se como uma loja fisica e digital que agrega os vários sabores dos Açores. Esta loja permite reforçar a ligação entre os vários atores da região, que vêm neste canal um meio complementar de escoamento dos seus produtos. 

Conclusão

"A Mulher do Capote" parece alinhar-se bem com a inovação organizacional, sustentada em produtos de qualidade. Está a posicionar-se para enfrentar o futuro e, aparentemente, tem as condições necessárias para continuar um crescimento sustentável e ser um dos bons representantes de uma região de excelência, os Açores.

Uma vida longa, próspera e bem vivida para as gentes da Mulher de Capote, para as gentes dos Açores, que sabe receber muito bem, e para nós, para usufruirmos destes "luxos" durante muito tempo.

2017-02-18

2017 * Lista das Empresas Mais Inovadoras do Mundo



A revista Fast Company apresentou a 10.ª edição do ranking das 50 Empresas Mais Inovadoras do Mundo. Os critérios são vários e as empresas analisadas também. Segundo a revista, o seu critério mais significativo é o impacto que as empresas têm no mundo.
No pódio estão as empresas:

1. Amazon: por oferecer cada vez mais, mais rápido e de forma mais inteligente.

2. Google: por desenvolver uma memória fotográfica.

3. Uber: por acelerar a condução autónoma.

O artigo original aparece em The 2017 World's 50 Most Innovative Companies e podem ser consultados detalhes sobre os motivos de escolha de cada empresa para esta lista.

2015-03-16

Empreendedorismo: uma realidade!

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Independentemente de olharmos para o empreendedorismo como sinónimo de pandemia ou de boas vibrações em intensa atividade, independentemente de surgir por necessidade ou por vocação, independentemente de ser visto como um patinho feio ou como um futuro belo cisne, este conceito está cada vez mais presente no nosso dia a dia.

A Visão tem feito alguns artigos interessantes sobre o assunto. Um deles, apresenta alguns dos passos necessários para fazer nascer uma empresa e os modelos alternativos mais usadas pelos empreendedores atuais para pensar e definir o negócio: o tradicional plano de negócios e/ou o vanguardista Canvas: Os passos que tem de conhecer.

No artigo Como construir uma empresa: são apresentados alguns exemplos de empreendedores e dados sobre o empreendedorismo.

Podemos ainda fazer um teste para termos uma noção sobre a nossa veia empreendedora atual: Tem perfil de empreendedor.

Parece-me que existem vários cisnes a aguardar a oportunidade de se afirmarem! 

Eis um exemplo:

Wizdee – Business Discovery Solutions

Wizdee is a spin-off of University of  Coimbra, Portugal, founded by a team with a strong background in knowledge management, artificial intelligence and natural language processing. In 2014 the company raised $1M from seed investors Portugal Ventures and Novabase Capital.

His two founders, joining a notorious academic experience, developed a search-based Business Intelligence software, Wizdee®, that helps business users to explore their data.

This revolutionary BI platform, launched in the beginning of 2015, is already changing the way business users interact with their information.

Wizdee software uses a natural language search engine that enables any user to explore their data in a simple and fast way.






2012-09-25

Patentes ao rubro


Todos já ouvimos falar de patentes e da sua capacidade de proteger produtos ou serviços. Mas nunca foi um assunto de massas. Sempre foi assunto direcionado para juristas ou outros técnicos com funções relacionadas com a proteção de direitos relacionados com a propriedade industrial. Mas sempre foi um mundo um pouco misterioso para quem nele não se move habitualmente. Para nos esclarecer alguns destes aspetos, o RP apresentou-nos um post afinal o que é uma patente? em que explica sumariamente o que é uma patente. No post Quanto vale uma patente? Já dá um exemplo de como a HTC ganhou uma guerra jurídica contra a Apple, pelo seu famoso gesto "swipe to unlock".

Está visto que as patentes, para além da sua função de restrição de utilização de tecnologias ou conhecimentos, são cada vez mais um negócio, que movem batalhões de especialistas, no sentido de proporcionar negócios extra para as organizações e ganhos extraordinários. Um dos exemplos mais gritantes da atualidade é a batalha judicial que tem ocorrido entre a Apple e a Samsung, com a Apple a ver as suas pretensões defendidas nos EUA, tendo o tribunal obrigado a Samsung a pagar uma indemnização de mil milhões de dólares. Também o Scroll dá mais uma vitória a Apple nesta guerra das patentes. Seguindo a mesma filosofia, agora a Apple pretende pretende levar a tribunal uma mercearia polaca, não só pela imagem (no cimo deste post) que pretende que seja dada como inutilizável pela sua proximidade com a maça da Apple, mas também o site, pela sonoridade que o nome da empresa associada à extensão do site provoca.

Estas guerras de patentes, têm efeito prático e imediato nas soluções apresentadas. A rivalidade com a Googel, provocou uma mudança no serviço de mapas do i-phone e um retrocesso na solução anteriormente disponibilizada. Este é um caso em que os utilizadores (pelo menos os que já tinham a versão anterior) sentem que foi dado um passo atrás num dos componentes básicos de um "smart-phone". Apesar da legião de fãs da Apple ser fiel e de existir uma força grande associada à marca, estas questões complementadas com o desaparecimento da cara da Apple, podem ter algum impacto, como se pode ver em novos mapas do iphone sob chuva de críticas.

A Apple tem as vantagens e as desvantagens de estar só no mundo contra os outros players, mas é uma estratégia. Uma estratégia que tem dado bons resultados. Mas tal como tem acusado muita gente de copiar as suas inovações (e são muitas as caraterísticas inovadoras dos seus produtos), também tem sido acusada de passar por cima de algumas situações objeto de patente, como vimos acima o caso da HTC e como se pode ver no caso da acusação de copiar relógio dos caminhos de ferro suiços. Talvez devido a estas acusações e outras, e no sentido de evitar uma caça à Apple e a todos os pormenores que lhe possam ser apontados, tornando a acusação à Apple um desporto das tecnológicas, Steve Wozniak já apareceu a colocar água na fervura e a
declarar guerra à guerra das patentes. Isto não entrando no mundo do patent trolling, um verdadeiro negócio da China, como se pode ver em Apple pode ser vitima de patent trolling.


Acredito, no entanto, que estas guerras estejam longe do fim e será interessante verificar as posições dos grandes jogadores neste palco, e em que medida os aspetos geográficos e políticos influenciam esta luta intestinal.

Aguardemos as cenas dos próximos episódios.

2012-07-30

O fim da Kodak? Lá está, esqueceram-se de inovar!


O Wall Street Journal  noticiou na passada sexta feira que a Kodak, um dos pioneiros no desenvolvimento da fotografia e o grande responsável pela sua massificação e disseminação encontra-se em grandes dificuldades financeiras. "Hummm... não foi também o que aconteceu recentemente com a Nokia? Terão estes gigantes adormecido à sombra do sucesso alcançado e esquecido que o mercado está em constante desenvolvimento e mutação? Quem não inova simplesmente não sobrevive!

O infortúnio de uns acaba por ser a alegria de outros. Dois dos gigantes da atualidade, Apple e Google, já se preparam para ver quem consegue deitar as mãos a cerca de 1100 patentes avaliadas em $2,6 Biliões  que a Kodak pretende vender numa tentativa de impedir a falência e emergir como uma empresa viável.
O leilão, marcado para dia 8 de Agosto vai decorrer em dois lotes, um lote relacionado com a captura e processamento de imagens e outro lote relacionado com o armazenamento e analise de imagens.

Sendo que hoje em dia quase todos os telemóveis, smartphones, tablets e gadgets similares incorporam uma camera fotográfica será de esperar que este seja apenas o inicio de mais uma longa batalha entre estes dois gigantes.
Irá o futuro detentor da propriedade intelectual da Kodak impedir o seu concorrente de incorporar máquinas fotográficas nos seus dispositivos?
Seria uma jogada estratégica arrojada, se não fatal !

2012-07-16

disco rígido de confiança!

Uma das preocupações que tenho de tempos a tempos é a informação. Aliás, o risco associado à informação. E se, de repente, o disco do meu computador fosse destruído por um qualquer incidente? O que aconteceria à informação? Há duplicação? Quando falamos num plano pessoal, a duplicação, back-ups ou qualquer método de segurança de informação é muito mais falível. Pelos recursos utilizados e pela menor disciplina do método.

Na exame informática, em disco rígido que dura 1 milhão de anos, vem a informação sobre uma possível solução para todos os problemas. Um disco rígido que dura 1 milhão de anos? Fantástico. Claro que só para o protótipo se prevê um custo de 25 mil euros. Claro que o mercado está bem determinado e não me parece que esteja direcionado para o consumidor final. Claro! É óbvio! Mas, há uns anos atrás, quem diria que iríamos ter computadores pessoais?

2012-02-01

vinho sem alergias



Ser alérgico já não é desculpa: Uma metodologia de produção de vinho branco, desenvolvida na Universidade de Aveiro, vai permitir que seja produzido sem a adição de sulfitos, o que vai permitir que pessoas alérgicas "ao vinho", possam beber o vinho sem que este tipo de problemas se manifeste.

O vinho, como é sabido tem uma história rica em inovação, seja ao nível de processo, do próprio vinho, ou de marketing. Também é claro para todos que o vinho e todas as atividades complementares têm um papel importante na economia não só da região, mas do país. Somos um país vinhateiro e, desde os anos 80 do século XX, tem havido grandes evoluções, associado a um aumento significativo dos enólogos, e com posicionamentos trabalhados ao nível das marcas/quintas/produtores.


Há exemplos desta evolução do setor que são imediatos: lembro-me de ter estado há algum tempo a ouvir a Filipa Pato descrever a forma como chegou ao "Charmoso". Um vinho espumoso e a sua tentativa de afastar o seu vinho do conceito de espumante, conceito este associado a vinhos fracos. Assim, trabalhou uma marca, o "Charmoso", e tudo o que está à sua volta: comunicação, imagem e design, entre outros.
Também foi com agrado que as visitei o Aliança Underground Museum, visita esta que terminou com um jantar com leitão e espumante, e que constatei que há um aproveitamento das tradicionais Caves para possibilitar um museu "Vivo", i.e. um museu em que é possível estar a visitar e ver as pessoas a trabalhar, sem que haja cruzamento entre as partes, não criando obstáculos à operacionalidade exigida pela produção. A acrescentar, permite-nos o acesso a uma exposição de pintura, o que faz aumentar a percepção de que estamos mais num museu e menos numas caves cuja finalidade principal é produzir. Acaba por dar algum romantismo às caves, e as pessoas que lá trabalham são atores de um documentário em tempo real.

Poderíamos dar mais exemplos, como o conceito da Quinta do Encontro, ou a marca promocional 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada muito bem conseguida e que é um selo de qualidade com um reconhecimento abrangente. Poderíamos falar de muitas outras situações que provam o espirito empreendedor associado ao setor vitivinícola.

Mas vamos falar apenas deste caso específico, de alteração do método de produção, com consequentes alterações às caraterísticas do vinho, sem alteração da sua qualidade. Este método simples como o "Ovo de Colombo" o foi,  pode vir a ser responsável por uma alteração significativa no vinho tal como o conhecemos, embora subtil para o apreciador/consumidor. Este método tem ainda a vantagem de manter os custos de produção praticamente iguais aos atuais. Já foi objeto de patente e continuam os testes, prevendo-se que ainda este ano possa já ser utilizado nalgumas provas de vinho, mas que, durante o próximo ano, possa ser utilizado de forma massiva:
Alérgicos já podem beber vinho sem problemas!:
Método português permite fazer vinho branco sem sulfitos!

Há sempre quem desconfie que estamos no limiar da capacidade para inovar! Mas há sempre quem nos prova que cada limiar definido, o é apenas enquanto não aparece um novo limiar.
E agora, o que nos reservará o futuro dos vinhos?

2011-12-15

Vazio de ideias


Não há ideias nesta desgraçada empresa!
Por vezes há quem se questione sobre a existência de ideias na sua organização. Não é necessário estar com grandes divagações acerca deste assunto. Se há um vazio de ideias na organização, é porque a organização não está disponível para as ouvir.
A falta de ideias na organização é um sintoma de uma organização moribunda. Como dizia o poeta, “todo o mundo é composto de mudança”. As organizações também. Excepções? Não conheço excepções cujo destino tenha sido positivo. Mas aceito de bom grado exemplos que me contrariem.
Elas andam por aí
Existem ideias a pulular por todo o lado, nas organizações. Nem que seja em pensamento. Quantas vezes pensamos: “se fosse eu que mandasse…”. “O que é que farias se mandasses? Sim, tu! Diz-me o que farias se mandasses! Estou mesmo interessado!” Muitas vezes esta postura está no âmbito do imaginário. A única resposta é um grunhido parecido com “idiota”. Por vezes surge um sorriso sarcástico e acompanhado de um “eheh! O gajo pensa que é o Miguel ‘Arcanjo’!!!” Claro que é uma sorte quando não aparece um engravatado aos pulos a gritar “quem foi o idiota que disse esta idiotice? Onde está o Steve Jobs da Baixa da Banheira?”. Todos ficam caladinhos no seu canto, alguns sorrindo sarcasticamente com a situação, outros tristes e solidários. O proprietário da ideia espera que ninguém se aperceba que foi ele que sugeriu aquela solução e arrepende-se dos comentários que fez com colegas. Criou-se aqui um fosso comunicacional em que a vontade de partilhar ideias com quem quer que seja, vai por água abaixo. Mesmo os que teriam soluções para sugerir, ficam sossegadinhos, com a sua análise muito própria ao sucedido, mas com uma vontade imensa de não ser apanhado naquela situação. O Silva foi totalmente humilhado, mas a ele não o apanham naquela situação. Mesmo que tivesse uma ideia que melhorasse significativamente o produto. Como deixar de ter embalagens de papelão nos pneus, exemplo que aqui podemos ver! “Oh! Houve algum idiota que teve uma ideia dessas? Como é que é possível?”
Ouvir! Não, não: OUVIR!
Há vários factores que são necessários para que as ideias surjam. Um dos factores importantes é a disponibilidade para ouvir ideias, sugestões, críticas ou reclamações e analisá-las de forma objectiva e sem preconceitos.
Voltando a quem não encontra ideias na sua organização, diria apenas para ouvir. Não é fácil, mas ouçamos atentamente o que Hemingway nos dizia:
"Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente. A maioria das pessoas jamais ouve."
Ouviram? Agora, vejamos se conseguimos por em prática! 

2011-10-24

O que é inovar? vii)



“Inovar é um processo de alavancar a criatividade, para gerar valor de novas maneiras, através de novos produtos, serviços e negócios.”

Jonasch & Sommerlatte: The Innovation Premium.

2011-10-21

O que é inovar? vii)



“Inovação é adotar novas tecnologias, que aumentam a competitividade da companhia.”

Hamel & Prahalad: Competindo pelo futuro

2011-10-18

O que é inovar? vi)

“Inovação é um processo de aprendizagem organizacional.”

Bell & Pavitt: The development of technological capabilities

2011-10-15

O que é inovar? v)

“Inovação é = novas ideias + ações que produzem resultados.”

Ernest Gundling: The 3M Way to Innovation.

2011-10-12

O que é inovar? iv)

“Inovação é o uso, comercialmente bem-sucedido, de uma invenção”

Bacon & Butler: Planned Innovation.

2011-10-09

o que é inovar? iii)

“Inovação é um processo estratégico, de reinvenção contínua, do próprio negócio e da criação de novos conceitos de negócios.” 

Hamel: Liderando a Revolução.

2011-10-07

a invenção da batata frita

A batata frita é hoje um acompanhamento importante de muitos pratos, como por exemplo numa das 7 maravilhas gastronómicas de Portugal!. Tal como no leitão, há muitos pratos que evoluíram para o acompanhamento de batatas fritas. É possível que neste ponto muitos façam um parêntesis para dizer regrediram. Independentemente de discussões de saúde ou culinárias, que considero importantes, o facto é que a batata frita está presente na alimentação de muitos de nós. Poderia dizer ainda e nas preferências das crianças, mas seria redutor, pois também está nas preferências de muitos adultos.
Interessante será saber como e onde foram inventadas as batatas fritas. Há várias teorias, e segundo a Wikipwdia, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Batata_frita, a origem das batatas fritas terá sido na Bélgica, na França ou em Espanha.
Encontrei, no entanto, o relato da invenção da batata frita, como tendo sido num restaurante dos EUA?. E tem uma história encantadora por trás, pelo que poderá vir a ser conhecido correntemente como o local e a situação que levou à invenção da batata frita:
Segundo reza a história, George Crum era o chefe de cozinha de um elegante e luxuoso restaurante, o Moon Lake Lodge. Um cliente pediu batatas fritas, mas não gostou. Reclamou. Mandou-as para trás, alegando que estavam demasiado grossas e elásticas. Queria batatas mais finas e estaladiças. Mandou-as de novo para trás. Crum ficou irritado e quis dar uma lição ao cliente "mal-humorado". Crum cortou batatas o mais fino que conseguiu, fritou-as até ficarem castanhas e estaladiças e deitou-lhes sal por cima. SUCESSO! O cliente ficou encantado, pediu mais e espalhou a notícia. As batatas fritas ultra-finas tornaram-se a especialidade daquele restaurante. E evoluíram até ao que hoje conhecemos!

2011-10-06

O que é inovar? ii)

“Inovação é a mudança que cria uma nova dimensão de desempenho.”

Hesselbein et al: Leading for Innovation.

2011-10-05

magister dixit, ou neste caso, Einstein dixit:

www.toonpool.com
O Diogo enviou umas frases ditas por Einstein para reflexão: Um dos fundamentos da inovação é a partilha, por isso, partilho. Dito isto, aí vão as frases:

  • Innovation is not the product of logical thought, even though the final product is tied to a logical structure.


  • If I give you a penny, you will be one penny richer and I'll be one penny poorer. But if I give you an idea, you will have a new idea, but I shall still have it, too.


  • In the matter of physics, the first lessons should contain nothing but what is experimental and interesting to see. A pretty experiment is in itself often more valuable than twenty formulae extracted from our minds.


  • No amount of experimentation can ever prove me right. A single experiment can prove me wrong.