2026-05-07

Autoconhecimento no ISCA-UA

    Regressar à Universidade de Aveiro, neste caso, ao ISCA, é sempre mais do que uma deslocação profissional; é, para mim, o retorno a uma "casa" que também sinto como minha. Recentemente, tive o privilégio de voltar a cruzar estas portas para facilitar uma sessão de autoconhecimento dedicada a um grupo de professores que partilham uma visão comum: a de que para uma boa educação temos que nos compreender e conhecer quem somos.

    Esta jornada não começou agora. A ignição foi originada num workshop anterior, direcionado para alunos ao abrigo de um programa de mentoria. Na altura, o propósito era nobre e claro: dotar os estudantes de ferramentas para persistirem nos estudos e alcançarem os seus objetivos. No entanto, o entusiasmo e a satisfação gerados nesse momento transbordaram para o corpo docente.
    
    Os professores presentes perceberam que, para ajudarem os seus alunos a crescer, precisavam primeiro de olhar para dentro. Foi esse desejo de aprofundar a análise iniciada com os estudantes que nos trouxe a este novo capítulo.

    Nesta primeira sessão com os docentes, iniciámos um processo de conhecimento sistematizado sobre as personalidades. Não se tratou apenas de teoria, mas sim de lançar as bases para: o relacionamento interpessoal, com a melhoria da dinâmica entre colegas e uma maior empatia na relação pedagógica; a missão docente, com a reflexão sobre o propósito individual dentro da complexidade do ensino; a gestão de emoções e expectativas, com o consolidar os pilares necessários para gerir uma instituição que é, na sua essência, uma "casa de causas nobres”.

    Este último objetivo é tão ambicioso quanto inspirador: promover o crescimento de cada aluno na escola, garantindo que essa vontade de evoluir os acompanhe ao longo de toda a vida. Para que um professor consiga inspirar esta sede de conhecimento e da vontade de o aplicar, ele próprio deve estar em constante processo de descoberta.

    Para mim, foi um momento especial. Ter a oportunidade de contribuir para que esta "casa" se torne um lugar um pouco melhor, mais consciente e mais humano para todos, é uma responsabilidade que assumo com entusiasmo.

    Juntos olhamos em frente, cientes de que o autoconhecimento não é um destino, mas um mapa fundamental para uma educação humanizada e com bons resultados.

2026-05-05

Os clientes amam a tua empresa?


 

“Os clientes nunca vão amar uma empresa até que os funcionários a amem primeiro.” — Simon Sinek

A maioria das pessoas lê esta frase como inspiração. Na realidade, é um diagnóstico.

O que os teus clientes sentem quando interagem com a tua empresa? Satisfação? Frustração? Ou a sensação de que devem procurar alternativas? A forma como o cliente é tratado reflete diretamente a relação entre a empresa e as suas pessoas. Estão desligadas? Apenas satisfeitas? Ou verdadeiramente comprometidas?

Se as tuas pessoas estão desligadas, vais ter problemas e sabes disso. Se estão apenas satisfeitas, vais ter execução mínima. Vão fazer o suficiente para não serem questionadas. Se estão comprometidas, vais ter desempenho acima da média. E isso muda tudo. Funcionários comprometidos não precisam de microgestão: antecipam, resolvem, entregam. Adaptam processos para garantir um serviço ajustado às necessidades reais dos clientes. Quando surgem problemas, não evitam: questionam, melhoram, encontram soluções. Esta atitude traduz-se numa experiência consistente e aumenta a probabilidade de o cliente confiar e voltar.

Se os teus clientes não estão envolvidos com a tua marca, o problema provavelmente está dentro de casa. A liderança tem responsabilidade direta nisso. Uma cultura fraca gera equipas desligadas. Equipas desligadas geram execução mínima. Execução mínima gera clientes indiferentes.

A sustentabilidade de uma empresa vem de consistência operacional. O que depende de pessoas que se importam.E as pessoas só se importam quando sentem que são valorizadas e que se importam com elas.

Se queres um ponto de partida, responde a isto: O que na tua liderança, estrutura ou cultura está a impedir que as pessoas se envolvam a sério?

Enquanto não resolveres isto, estás apenas a fazer cosmética.


2026-04-27

Expor para evoluir: um teste à cultura de inovação de uma empresa

 

Imagem criada por AI Gemini

Há primeiros contactos que são meramente protocolares. E há outros que, em poucos minutos, expõem o ADN de uma organização. Este foi do segundo tipo.

O contexto era uma auditoria interna ao sistema de gestão de inovação, enquadrada na NP 4457, sistemas de gestão da investigação, desenvolvimento e inovação (atualmente substituida pela ISO 56001). Trabalho adjudicado, agenda definida, expectativa normal: alguma formalidade, talvez um compasso de espera, um ritual discreto de afirmação hierárquica antes de começar.

Nada disso aconteceu.

No dia marcado, à hora exata, o diretor-geral estava à minha espera. Sem atrasos. Sem encenação. Sem aquele jogo silencioso de poder que tantas vezes marca o início destas interações. Recebeu-me com cordialidade, explicou o contexto da empresa com clareza e, sobretudo, deixou explícita uma intenção: queria que as pessoas aprendessem.

Não disse “queremos que a auditoria corra bem”. Disse, “queremos evoluir”.

Foi nesse momento que colocou a questão que mudou completamente o enquadramento do trabalho: se a Comissão da Inovação poderia assistir à auditoria.

Aqui é onde muitas organizações travam. Auditorias são, por definição, momentos de exposição, o que em culturas frágeis ou num sistema imaturo, é risco. Abrir esse espaço a um grupo alargado, com diferentes níveis hierárquicos, significa aceitar escrutínio interno em tempo real.

A minha resposta foi imediata: sim.

Não por cortesia, mas porque percebi o que estava em causa. Aquilo deixava de ser apenas uma auditoria. Passava a ser um exercício coletivo de aprendizagem, com potencial real de impacto na  cultura inovadora da empresa. Mais exigente, sem dúvida. Mais desafiante, inevitavelmente. Mas também infinitamente mais relevante.

E assim foi.

Durante um dia inteiro, a auditoria decorreu com o diretor-geral sempre presente e mais 16 pessoas a acompanhar, atentamente, cada questão, cada evidência, cada não conformidade latente, cada oportunidade de melhoria. Não havia dispersão. Não havia secretismo. Havia foco. O que se criou naquele espaço foi do mais interessante que já vi: transparência operacional e curiosidade genuína, simultaneamente.

A auditoria deixou de ser um processo de verificação para se tornar um mecanismo de alinhamento. Cada pergunta não era apenas respondida, era interpretada e, em alguns momentos, debatida com vigor. Cada requisito não era apenas cumprido — era discutido no seu impacto real na organização. A norma deixava de ser um referencial externo e passava a ser uma ferramenta de reflexão interna.

Foi com entusiasmo que vi tratarem o sistema de gestão como uma plataforma de aprendizagem, em vez de uma obrigação enfadonha. O que aquela experiência demonstrou, foi que a inovação naquela empresa não era um discurso periférico nem uma função isolada. Era uma atitude. E mais do que isso: uma atitude posta em prática. Transversal. Incorporada em diferentes níveis da organização.

Com o tempo, essa perceção não só se confirmou, como se consolidou. A evolução da empresa, tanto ao nível tecnológico, organizacional como de mercado, refletiu exatamente aquilo que estava implícito naquele primeiro contacto: intenção acompanhada de implementação.

Este é um fator critico de sucesso que nem todos conseguem alcançar: intenção a coexistir com execução. Este fator, se aplicado consistentemente, cria cultura.

Recordo frequentemente esse primeiro dia não pela auditoria em si, mas pelo que revelou. Porque, na prática, mostrou algo que raramente é explícito: quando a liderança decide expor o sistema em vez de o proteger, está a dizer à organização que aprender é mais importante do que parecer competente.

E isso não se simula. É uma escolha. E, neste caso, foi uma escolha clara.

2026-03-31

O que te derruba? A carga ou o processo?


A frase de Lou Holtz desmonta a narrativa confortável de que o problema está “lá fora”: não é a carga que te derruba, é a forma como a processas: O Eneagrama revela precisamente os filtros internos que distorcem essa experiência, seja através de controlo excessivo, fuga, dramatização ou ansiedade. Enquanto não reconheces esses padrões, continuas a reagir de forma automática, agravando pressão no trabalho, criando tensão desnecessária nas relações familiares e acumulando desgaste pessoal; quando os identificas e trabalhas com consistência, a carga pode até manter-se, mas a tua capacidade de a gerir muda radicalmente; tomas decisões com mais clareza, comunicas com mais responsabilidade e deixas de transformar desafios normais em problemas crónicos. No fundo, o Eneagrama não reduz o peso da vida, mas altera a estrutura interna com que o suportas. Isso muda tudo.


O Eneagrama é um sistema dinâmico de mapeamento da personalidade que descreve nove padrões distintos de pensar, sentir e agir, permitindo que, na vida profissional, se desenvolvam lideranças mais empáticas e equipas de elevado desempenho através da compreensão de motivações profundas e, na vida pessoal e familiar, se cultivem relações mais harmoniosas e autênticas por meio da aceitação mútua e do autoconhecimento.


Inscrições em: https://lnkd.in/e5YEFjvU


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2026-03-23

Viver é enfrentar um problema atrás do outro...

 


A ideia de Benjamin Franklin é brutalmente pragmática: a vida não simplifica, acumula problemas; a diferença está na forma como respondes, não no que te acontece. O Eneagrama é uma ferramenta de desenvolvimento individual, porque expõe os teus padrões automáticos de reação ao stress, evasão, controlo, confronto, ansiedade, que se não forem trabalhados, sabotam tanto decisões profissionais como relações familiares. Ao reconhecer esses padrões e desenvolver respostas mais conscientes, ganhas clareza para decidir sob pressão, reduzes conflitos desnecessários em casa e aumentas a tua eficácia pessoal; no fundo, não resolves menos problemas, resolves melhor: Na prática, é o que separa quem evolui de quem anda anos a repetir os mesmos erros com nomes diferentes.

O Eneagrama é um sistema dinâmico de mapeamento da personalidade que descreve nove padrões distintos de pensar, sentir e agir, permitindo que, na vida profissional, se desenvolvam lideranças mais empáticas e equipas de elevado desempenho através da compreensão de motivações profundas e, na vida pessoal e familiar, se cultivem relações mais harmoniosas e autênticas por meio da aceitação mútua e do autoconhecimento.

2026-03-20

Porque hoje é Dia Internacional da Felicidade...

    


    Há uma ideia agradável e errada sobre bem-estar organizacional: a de que é um destino. Não é. A promoção de bem-estar e felicidade nas organizações é uma estrada longa, irregular e, muitas vezes, desconfortável. Não há linha de chegada. Há percursos. E esses percursos têm tudo o que muitos preferem ignorar: equipas desalinhadas, decisões difíceis, momentos de desgaste, processos que falham antes de melhorar. Falar de bem-estar sem falar disto é construir uma narrativa bonita… e vazia.

    O que realmente faz a diferença não são iniciativas isoladas, nem ações simbólicas. É a consistência com que a organização cria proximidade real entre pessoas, se foca na eficiência humana, e assume a melhoria contínua como prática; é muito mais do que discursos sobre cultura ou slogans fortes. Quando isso acontece, o impacto deixa de estar confinado à empresa e espalha-se nas pessoas, que levam essa experiência para a sua vida, nas equipas, que passam a funcionar com mais confiança e responsabilidade, e na comunidade, que sente os efeitos indiretos dessa cultura.

    Há um ponto crítico que quase ninguém admite: bem-estar organizacional exige maturidade para lidar com imperfeição. Se tudo parece alinhado, fluido e positivo não há bem-estar — há uma ocultação de problemas disfarçada de bem-estar. A pergunta relevante não é “Estamos bem?”, é “Como é que lidamos quando não estamos bem?”. A resposta honesta vai dar uma visão nua e crua da realidade da organização.

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2026-03-04

O Poder Transformador do Eneagrama

O maior bem que podemos fazer pelas pessoas não é compartilhar as nossas riquezas com elas, mas mostrar-lhes suas próprias riquezas. – Zig Ziglar

A frase de Zig Ziglar toca no núcleo do que o Eneagrama realmente propõe: desenvolver o potencial escondido. Liderar, formar ou orientar alguém não é dar respostas, é ajudar a pessoa a reconhecer os seus padrões automáticos, os seus talentos naturais e, sobretudo, os seus mecanismos inconscientes que a limitam. O Eneagrama expõe as estratégias de sobrevivência que confundimos com identidade e, ao fazê-lo, devolve a cada pessoa, algo mais valioso do que conselhos: devolve-lhe consciência. E ter consciência gera escolha, gera decisão fundamentada.

Quando alguém descobre o seu tipo, os seus centros dominantes e os seus instintos, deixa de operar apenas em piloto automático. Percebe onde sabota relações, onde restringe a criatividade, porque evita os conflitos ou a necessidade de procurar validação. Mas também dá a conhecer os recursos internos que sempre estiveram lá: capacidade de relacionamento com diferentes pessoas, visão estratégica, profundidade emocional, disciplina, inovação. 

O Eneagrama é um mapa de expansão. Mostrar a alguém as suas próprias riquezas é ajudar a ir além do seu padrão limitador e permitir ir ao encontro do melhor de si.