2012-03-04

João Magalhães: o número mágico para o sucesso!

A experiência medida em horas de voo
A que sabe o chocolate? Chocolate: o talento nas organizações + João Magalhães!

O João Magalhães, por enquanto, não é tão mediático como o João Garcia. Mas é igualmente um excelente comunicador, como se pode confirmar pelo seu desempenho no TEDx de Aveiro de 2011: http://www.youtube.com/watch?v=qPUZf5EIYEM.


Sempre que existe a oportunidade de assistir a uma das suas apresentações, em diferentes contextos, aprendo algo. No seminário do chocolate veio falar de talento e de liderança. Um dos temas que abordou foi o talento. Fiquei a processar esse dia, um número mágico. A saber: 10.000!  Sim, 10.000 horas! 10.000 horas de prática apaixonada para se tornar um mestre de qualquer assunto. Isto acarreta boas notícias e más notícias:
As boas primeiro: O talento depende essencialmente do treino, da prática! Assim, e tirando os casos de limitações físicas (começar aos 40 anos a treinar para ser campeão olímpico dos 100m é, provavelmente, um objetivo discutível), podemos dizer o mesmo que Obama disse "Yes, we can"
As más notícias são que o dom com que nascemos, não chega. Podemos ser génios, podemos ter um dom, mas se não o trabalharmos, dificilmente teremos sucesso. Mas se formos apaixonados pelo tema, é aliciante ter que trabalhar 10.000 horas em determinada atividade!
Um estudo realizado nos EUA concluiu que a maioria das pessoas de sucesso, tem o QI semelhante ao resto da população. Para saber mais sobre este número mágico associado ao talento, podemos ler:

2012-03-03

João Garcia: alpinismo, necessidade e engenho




A que sabe o chocolate? Chocolate: o talento nas organizações + João Garcia!

Com temáticas interessantes e atuais, tive a oportunidade de ouvir o alpinista João Garcia. Tem uma história de vida completamente fascinante. Digna de um filme. O que conto aqui, contado pelo João Garcia na primeira pessoa, é muito mais emocionante. Temos à nossa frente o homem que viveu as situações e ultrapassou os obstáculos. É uma oportunidade extraordinária poder escutar alguém com esta experiência de vida. Parecia estar a reviver leituras de aventureiros que exploravam muito do mundo desconhecido, em diferentes épocas da história. 

O João Garcia percebeu, desde cedo, que seria um aventureiro.  O apelo pela aventura já era grande, aos quinze anos, e mantém-se. Começou com uma viagem de bicicleta de 4 dias à Serra da Estrela, e continua com projetos interessantes para o futuro. Pratica um desporto em que os limites são experimentados frequentemente. A integridade física e a própria vida podem ser postas em causa, como consequência de menor preparação ou falta de planeamento (entre outros fatores). Desde cedo que identificou a sua criatividade e capacidade de pôr essa criatividade em prática. 

Uma das várias histórias que partilhou connosco e que me fascinou, resultou da sua necessidade de aproveitar os media financiar as suas aventuras. O primeiro contato direto e intenso com a imprensa, resultou do seu falhanço na escalada do monte Everest, em 1999. Foi o catapultar do seu mediatismo, embora pelas piores razões. Todas as vezes que tivera sucesso não tinham atraído a imprensa. Agora que falhara, que havia drama e sangue, a imprensa apareceu e não o largou. Depois de resolver esse problema consigo próprio, e encurtando o percurso de alguns anos a algumas linhas, resolveu o problema da imprensa consigo próprio. A imprensa é importante para o atingir os patrocínios que são importantes para atingir os seus objetivos.

A inovação 
Depois de obter o patrocínio de um banco, precisava de manter a "chama do interesse" da imprensa acesa. Mas o facto de ir alcançando os cumes a que se tinha proposto, fez com que a vitória, o alcance do cume, deixasse de ser motivo de notícia, passando a ser rotina. Como o próprio citou, "Good news, no news". João Garcia apercebeu-se que tinha que fazer alguma coisa. Uma das situações, passava por levar uma câmara de filmar durante o processo de subida ao cume. Assim, as imagens seriam disponibilizadas muito mais rapidamente e não teria alguns dos problemas de recuperação por que passou, quando teve a necessidade de passar rapidamente as imagens para a imprensa. Mas o material de filmagem era muito pesado. Conta que falou com algumas pessoas e abordou a FEUP para o desenvolvimento de material que poderia ter um peso máximo de 200g, de forma a não interferir com o seu desempenho, desafio que foi rapidamente aceite e alcançado. Consegui-se passar da necessidade de utilização de equipamento pesado, para a utilização de equipamento leve, que permitia o envio de imagens do cume para o acampamento base, de forma a que o jornalista editasse as imagens e pudesse fazer o "direto", respondendo ao mediatismo que a sociedade atual exige, e assegurando a maior satisfação dos patrocinadores.

2012-03-01

Casa Modular Eco-Sustentável!


A inovação está presente até nas áreas mais tradicionais. Mesmo em tempo de crise, a Cool Haven apresenta uma casa modular, com grande versatilidade e tempos de construção reduzidos, tendo sempre a preocupação de assegurar o conceito de sustentabilidade em todas as soluções apresentadas. O conceito foi desenvolvido pela Cool Haven, em parceria com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Ver mais em:
Vem aí a ‘casa de Lego’ para adultos!
www.coolhaven.pt

Fica também um filme promocional da Casa Modular Eco-Sustentável:

2012-02-09

Innovation Union Socoreboard 2011

Já está disponivel o relatório da Comissão Europeia, Innovation Union Socoreboard 2011, que tem por objectivo ajudar a monitorizar o estado da inovação na UE .
Com base na sua performance de inovação média, os estados-membros são divididos em quatro grupos de desempenho:
- Innovation Leader
- Innovation followers
- Moderate innovators
- Modest innovators
Portugal encontra-se em segundo lugar no grupo dos chamados "Moderate innovators".

Para consultar o relatório na integra clique aqui.

2012-02-01

vinho sem alergias



Ser alérgico já não é desculpa: Uma metodologia de produção de vinho branco, desenvolvida na Universidade de Aveiro, vai permitir que seja produzido sem a adição de sulfitos, o que vai permitir que pessoas alérgicas "ao vinho", possam beber o vinho sem que este tipo de problemas se manifeste.

O vinho, como é sabido tem uma história rica em inovação, seja ao nível de processo, do próprio vinho, ou de marketing. Também é claro para todos que o vinho e todas as atividades complementares têm um papel importante na economia não só da região, mas do país. Somos um país vinhateiro e, desde os anos 80 do século XX, tem havido grandes evoluções, associado a um aumento significativo dos enólogos, e com posicionamentos trabalhados ao nível das marcas/quintas/produtores.


Há exemplos desta evolução do setor que são imediatos: lembro-me de ter estado há algum tempo a ouvir a Filipa Pato descrever a forma como chegou ao "Charmoso". Um vinho espumoso e a sua tentativa de afastar o seu vinho do conceito de espumante, conceito este associado a vinhos fracos. Assim, trabalhou uma marca, o "Charmoso", e tudo o que está à sua volta: comunicação, imagem e design, entre outros.
Também foi com agrado que as visitei o Aliança Underground Museum, visita esta que terminou com um jantar com leitão e espumante, e que constatei que há um aproveitamento das tradicionais Caves para possibilitar um museu "Vivo", i.e. um museu em que é possível estar a visitar e ver as pessoas a trabalhar, sem que haja cruzamento entre as partes, não criando obstáculos à operacionalidade exigida pela produção. A acrescentar, permite-nos o acesso a uma exposição de pintura, o que faz aumentar a percepção de que estamos mais num museu e menos numas caves cuja finalidade principal é produzir. Acaba por dar algum romantismo às caves, e as pessoas que lá trabalham são atores de um documentário em tempo real.

Poderíamos dar mais exemplos, como o conceito da Quinta do Encontro, ou a marca promocional 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada muito bem conseguida e que é um selo de qualidade com um reconhecimento abrangente. Poderíamos falar de muitas outras situações que provam o espirito empreendedor associado ao setor vitivinícola.

Mas vamos falar apenas deste caso específico, de alteração do método de produção, com consequentes alterações às caraterísticas do vinho, sem alteração da sua qualidade. Este método simples como o "Ovo de Colombo" o foi,  pode vir a ser responsável por uma alteração significativa no vinho tal como o conhecemos, embora subtil para o apreciador/consumidor. Este método tem ainda a vantagem de manter os custos de produção praticamente iguais aos atuais. Já foi objeto de patente e continuam os testes, prevendo-se que ainda este ano possa já ser utilizado nalgumas provas de vinho, mas que, durante o próximo ano, possa ser utilizado de forma massiva:
Alérgicos já podem beber vinho sem problemas!:
Método português permite fazer vinho branco sem sulfitos!

Há sempre quem desconfie que estamos no limiar da capacidade para inovar! Mas há sempre quem nos prova que cada limiar definido, o é apenas enquanto não aparece um novo limiar.
E agora, o que nos reservará o futuro dos vinhos?

2012-01-31

O carro que dobra

O Hiriko, um carro elétrico de dois lugares, que dobra, foi apresentado no passado dia 24 de Janeiro à Comissão Europeia.

Espanha vai começar a produzir o carro no próximo ano. O carro tem aproximadamente o mesmo tamanho que um Smart, mas pode encolher-se e ficar ainda menor quando estacionado.
O Hiriko, que significa "carro urbano" em basco, é uma criação de pesquisadores do MIT Media Lab, e é projetado para atender às necessidades dos cada vez mais congestionados estacionamentos nos centros urbanos.

Espanha planeia produzir os veículos e alugá-los aos moradores. O preço de venda estimado do veículo é de cerca de 16.350 dólares.






2012-01-22

Lista de Smart Cities on the planet!


Boyd Cohen tem estudado as chamadas Smart Cities. Um tema atual, com potencial mediático e que nos faz parar para ver do que se trata e tentar perceber se a nossa cidade também se poderá enquadrar nas ditas Smart Cities. Segundo o próprio, não é fácil definir o conceito de "Smart Cities".  Encontrou uma definição própria, que o deixa mais satisfeito do que a tradicional definição. Assim, Smart Cities são cidades que utilizam as tecnologias de informação e comunicação para aumentar a eficiência e uso inteligente dos seus recursos, tendo como resultado a redução de custos e energia, melhoria do desempenho na prestação de serviços aos cidadãos e melhoria da qualidade de vida, assegurando simultaneamente, uma redução da pegada ecológica. 
A sustentabilidade destas cidades deverá ser assim baseada na inovação e nas boas práticas ambientais.


A partir de um conjunto de estudos sobre ambiente, qualidade de vida, inovação e outros, fez um ranking global das smart cities. Ficam listadas as cidades que compõem esse classificação:


10.ª - Barcelona;
9.ª - Hong-Kong
8.ª - Copenhaga;
7.ª - Berlin;
6.ª - Tokio;
5.ª - Londres; 
4.ª - Nova Iorque;
3.ª - Paris;
2.ª - Toronto;


A primeira cidade do ranking surpreendeu o autor, não só pela sua discrição, mas também por ter sido a única cidade a obter uma classificação no top 10 em todos os fatores avaliados. Não será menos importante a definição de um conjunto de programas de melhoria de médio/longo prazo que envolvem toda a sociedade.


Esta cidade é VIENA.       

2012-01-20

Livro " O Processo de Inovação"


Cá está um livro que me parece bastante apelativo e onde são abordadas, de forma prática, as principais etapas do processo de inovação, particularmente nos contextos industrial e de serviços.
Mal posso aguardar por saborear do seu conteudo.
Mais sobre o livro.

2012-01-18

Eastgate - Harare


Este é o edifício Eastgate, em Harare. Foi concebido pelo arquiteto Mick Pearce, e foi a resposta a um desafio colocado por um cliente, que pretendia um edifício de escritórios sedutor e funcional, mas que não tivesse sistema de ar condicionado.

Um desafio interessante e improvável, pois as temperaturas em Harare podem ser elevadas. Mick concebeu o edifício com base nos seus conhecimentos dos ninhos de térmitas, onde conseguem manter uma temperatura constante de 30ºC (em locais onde a temperatura pode ir dos 37ºC de dia até aos 4.ºC de noite), de modo a permitir o cultivo de um fungo que lhes é essencial. Mick conseguiu, sendo inaugurado o edifício em 1996, permitindo aos proprietários a poupança de 10% na conta de energia e grandes poupanças em aparelhos e sistemas de ar condicionado.

Fonte: O efeito Medici de Frans Johansson

2012-01-17

Ciberdúvidas, 15 anos! Parabéns!

O ciberdúvidas.com fez 15 anos em prol da língua portuguesa! Um projeto interessante que começou como um prontuário da lingua portuguesa on-line, mas que paulatinamente tem seguido um caminho que o torna numa referência para quem tem dúvidas na língua de Camões.
Parabéns ao ciberdúvidas, que continue a esclarecer todos os que pretendem esclarecer as diversas dúvidas que vão surgindo. Que seja uma boa ajuda na compreensão das regras do novo acordo ortográfico e que ajude a unificar uma língua, tornando-a mais forte e os seus falantes mais unidos.

2012-01-14

Petição espanhola para financiar ciência através dos impostos


Longe vão os tempos em que se dizia que "de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos!". Este é um caso claro de bons ventos que vêm de Espanha. Assim se queira seguir o exemplo:
Em 10 dias foram mais de 107.000 assinaturas para que, à semelhança dos 0,5% que por cá se podem canalizar para a solidariedade,  possam canalizar 0,7% dos impostos para a investigação e desenvolvimento.
Pode-se ver mais nesta notícia: Petição espanhola para financiar ciência através dos impostos:

2012-01-10

Deslumbrante

Criatividade sobre rodas: 1200 bicicletas empilhadas? Labirinto 3D? É possível fazer mais do que cavalinhos com as bicicletas!



Taipei Fine Arts Museum: Forever Bicycles:
Fonte: http://www.fastcodesign.com/1665720/ai-weiwei-piles-1200-bikes-on-top-of-each-other-for-dazzling-effect

2012-01-03

Boa ciência em Portugal em 2011


Em qualquer início, a positividade é importante. Neste ano que agora começa, em que o medo parece estar presente em muitos portugueses, esta positividade é ainda mais relevante. Ficam aqui duas listas que evidenciam a capacidade dos portugueses e a sua intervenção no melhor que se faz ao nível da ciência.

A Ciência Hoje elaborou uma lista das descobertas científicas mais relevantes em 2011, segundo os seus leitores. Resumidamente, foram:
* A experiência relacionada com a velocidade dos neutrinos;
* Produção de fígados humanos a partir de células estaminais;
* Descoberta do planeta kepler-22b, potencialmente "habitável";
* Nova vacina contra cancros e contra sida;
* Testes de deteção precoce da doença de Alzheimer.
Pode-se ver mais detalhe em Leitores de CH elegem as mais importantes descobertas científicas de 2011

O Público, após contactar várias universidades portuguesas, também elaborou uma lista com alguns dos aspetos mais relevantes da ciência portuguesa:
* Estrelas de matéria escura
Vulcão origina explosão de vida no mar
* Cerâmica para gerar energia
* Diagnosticar a doença de Alzheimer sem erros
* Testar o aquecimento global num ribeiro
* Automóvel que anda sozinho
* Grafeno
* Aerogéis contra frio de Marte
* Sequenciar genomas é mais barato
* Regeneração de tecidos em marcha
Pode-se ver mais detalhe em: dez exemplos que mostram a qualidade da ciência nacional em 2011

Vamos confiar que a ciência e o conhecimento continuam a ser uma aposta forte em 2012.

2011-12-28

Tratar da saúde a 2012, desde já!

A mudança está sempre presente na história do Universo. Heráclito dizia:
"Nada é permanente, exceto a mudança."


O nosso grande Camões, que teria sido um dos primeiros a adotar o novo acordo ortográfico, escreveu assim:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades. 

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria, 
E em mim converte em choro o doce canto. 

E afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto, 
Que não se muda já como soía."

Peter Drucker, um gestor dos tempos modernos disse:
"A mudança não se gere. 
Descobre-se! 
Antecipa-se! 
Aproveita-se! 
Lidera-se!

Não me devo esquecer que a mudança começa por mim. Poderá ser útil rever e reflectir sobre os os 10 mandamentos de Kent M. Keith, propostos como base para a resolução de ano novo que agora termina.  
Num ano de 2012 que se prevê ainda mais marcado pela mudança do que 2011, tenho que aproveitar estas mudanças!Tenho que as liderar! 
Desejo a todos um Excelente 2012! 
Pela parte que me toca, vou já começar a tratar disso!

2011-12-15

Vazio de ideias


Não há ideias nesta desgraçada empresa!
Por vezes há quem se questione sobre a existência de ideias na sua organização. Não é necessário estar com grandes divagações acerca deste assunto. Se há um vazio de ideias na organização, é porque a organização não está disponível para as ouvir.
A falta de ideias na organização é um sintoma de uma organização moribunda. Como dizia o poeta, “todo o mundo é composto de mudança”. As organizações também. Excepções? Não conheço excepções cujo destino tenha sido positivo. Mas aceito de bom grado exemplos que me contrariem.
Elas andam por aí
Existem ideias a pulular por todo o lado, nas organizações. Nem que seja em pensamento. Quantas vezes pensamos: “se fosse eu que mandasse…”. “O que é que farias se mandasses? Sim, tu! Diz-me o que farias se mandasses! Estou mesmo interessado!” Muitas vezes esta postura está no âmbito do imaginário. A única resposta é um grunhido parecido com “idiota”. Por vezes surge um sorriso sarcástico e acompanhado de um “eheh! O gajo pensa que é o Miguel ‘Arcanjo’!!!” Claro que é uma sorte quando não aparece um engravatado aos pulos a gritar “quem foi o idiota que disse esta idiotice? Onde está o Steve Jobs da Baixa da Banheira?”. Todos ficam caladinhos no seu canto, alguns sorrindo sarcasticamente com a situação, outros tristes e solidários. O proprietário da ideia espera que ninguém se aperceba que foi ele que sugeriu aquela solução e arrepende-se dos comentários que fez com colegas. Criou-se aqui um fosso comunicacional em que a vontade de partilhar ideias com quem quer que seja, vai por água abaixo. Mesmo os que teriam soluções para sugerir, ficam sossegadinhos, com a sua análise muito própria ao sucedido, mas com uma vontade imensa de não ser apanhado naquela situação. O Silva foi totalmente humilhado, mas a ele não o apanham naquela situação. Mesmo que tivesse uma ideia que melhorasse significativamente o produto. Como deixar de ter embalagens de papelão nos pneus, exemplo que aqui podemos ver! “Oh! Houve algum idiota que teve uma ideia dessas? Como é que é possível?”
Ouvir! Não, não: OUVIR!
Há vários factores que são necessários para que as ideias surjam. Um dos factores importantes é a disponibilidade para ouvir ideias, sugestões, críticas ou reclamações e analisá-las de forma objectiva e sem preconceitos.
Voltando a quem não encontra ideias na sua organização, diria apenas para ouvir. Não é fácil, mas ouçamos atentamente o que Hemingway nos dizia:
"Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente. A maioria das pessoas jamais ouve."
Ouviram? Agora, vejamos se conseguimos por em prática! 

2011-12-13

Alteração na embalagem do pneu

Tempos houve em que os pneus eram apresentados nas lojas com embalagens de papel! Reza a história que, preocupados com os custos do produto, o presidente reuniu os principais responsáveis das diferentes áreas da empresa e lançou o desafio de alterar alguma coisa, sem que a qualidade do pneu fosse alterada.
Depois de um conjunto de lugares comuns e de ideias batidas, o presidente perguntou se era tudo o que tinham para dar, e que pretendia era ideias novas.
Ficou um ambiente pesado, com toda a gente sob tensão e na expectativa sobre o que se iria passar. O silêncio era simplesmente ensurdecedor. Não se conseguia ouvir nada, até que uma voz quase inaudível rompe o silêncio ensurdecedor e diz com voz trémula: "O produto precisa ter  embalagem, chefe?". Todos se viraram para o local da voz trémula e viram a figura franzina que ficou mais franzina ainda depois de sentir 26 olhos a observá-lo com feições que iam desde o riso contido, até ao desprezo declarado.
Um empregado de limpeza, que estava a limpar os vidros e no qual não tinham reparado, repetiu titubeante: "Sem embalagem poupar-se-ia bastante!"
Os responsáveis ficaram admirados com a desfaçatez do simples empregado, que procurava um buraco para se enfiar, depois de repetir a sua ideia. Quem era este tipo para interromper assim a reunião? Teriam que ter mais cuidado em próximas reuniões. Que ideia ridícula! Não sabe nada sobre o assunto, e vem para aqui mandar bitaites!
Os sorrisos de escárnio apareciam cada vez mais intensamente, até que se ouviu a custo o presidente, de olhos vidrados, a balbuciar: "Porque não... porque não?" E assim, os pneus passaram a ser expostos nas lojas sem embalagens e com a informação necessária impressa na borracha, ao contrário do que tinha acontecido até ao início do séc. XX.
Este é um exemplo da importância que tem a análise do problema por alguém que não está envolvido no problema. Mostra também, que as boas ideias podem vir de qualquer pessoa da organização ou de fora da organização.